Trilogia Filosófica do Portal do Sol – Inspirada na Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant
Trilogia Filosófica do Portal do Sol
Inspirada na Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant
🌘 Episódio 1 – O Espelho do Pensamento
Há dias em que as perguntas não buscam respostas… mas espelhos.
No Portal do Sol, o pensamento não debate — contempla.
Este conto inicia uma trilogia onde a filosofia senta-se junto à fogueira, entre cadernos, árvores e crianças que não explicam… mas revelam.
Kant aparece aqui não como professor, mas como caminhante. Nós o guiamos, o escutamos. E talvez… o sonhemos.
Às vezes, um caderno em branco pesa mais que uma árvore antiga.
Immanuel chegou ao Portal do Sol ao entardecer, com um caderno sob o braço.
Não buscava escrever, mas entender.
Sentou-se junto à fogueira sem dizer palavra. O menino o esperava, como sempre, com os pés descalços e as mãos soltas. Havia nele algo que não pertencia ao tempo — como se soubesse coisas que ainda não aconteceram.
— Vim olhar as coisas — disse Immanuel —. Mas não sei se o que olho é realmente o que está.
O menino o olhou sem julgar, como fazem os que não têm respostas.
Ergueu uma pedra e deixou-a cair sobre uma poça.
— O que você vê — disse ele — nem sempre pode ser tocado. Mas mesmo assim, vive em você.
Immanuel abriu seu caderno. Escreveu:
“Só conheço o que aparece, não o que é.”
Depois desenhou a pedra, o reflexo, a poça. Nada exato. Tudo verdadeiro.
Horas se passaram. O fogo crepitava como se pensasse em voz baixa.
— E se tudo o que sei é apenas um reflexo? — perguntou Immanuel.
O menino encolheu os ombros.
— O reflexo também não faz parte da árvore?
Immanuel sorriu. Pela primeira vez, o caderno parecia leve.
Naquela noite, ele não buscou respostas.
Deitou sob o céu, olhando as estrelas.
Nenhuma falava. Todas diziam algo.
O conhecimento tem forma, mas nem sempre tem rosto.
Este conto não busca explicar Kant, mas habitá-lo.
No Portal do Sol, a razão é um caderno que escuta.
E você... o que seu pensamento reflete esta noite?
🌗 Episódio 2 – A Bússola do Dever
Às vezes, não há caminhos certos… só decisões que se sustentam na noite.
A bússola nem sempre aponta para o sucesso, nem para o alívio… mas sim para o verdadeiro.
Este conto continua a trilogia filosófica do Portal do Sol, onde Kant se transforma em errante.
E o menino, sempre presente, lhe oferece perguntas que não interrompem… apenas despertam.
“Há caminhos que não levam a lugar nenhum… e mesmo assim, é preciso percorre-los.”
Immanuel voltou ao Portal com uma bússola estranha: ela não marcava o norte, mas o silêncio.
Carregava-a no peito, como quem guarda um segredo.
Desta vez, não veio sozinho.
Acompanhava-o a decisão de ser.
Mas ainda não sabia o quê.
O menino o viu chegar e não perguntou. Estava sentado junto à fogueira, desenhando círculos na terra.
— Esta bússola não serve para se orientar — disse Immanuel —. Só indica quando sou fiel.
O menino levantou o olhar.
— Fiel a quê?
Immanuel ficou quieto. Olhou o fogo. E então respondeu:
— Ao que minha consciência não discute.
Durante o dia, caminharam sem rumo.
Num cruzamento, Immanuel parou diante de uma árvore partida.
— Eu poderia tomar esse atalho — disse —. Me pouparia tempo.
O menino o olhou, esperando.
Immanuel baixou os olhos à bússola.
O ponteiro girava, errático.
Não apontava nada.
— Então sigo por onde não convém — disse —. Mas é o caminho certo.
A noite chegou perto da lagoa. Immanuel sentou-se e apontou sua bússola para o céu.
Não houve luz, nem mensagem, nem revelação.
Mas por dentro… algo encaixava.
— Às vezes não há prêmio, nem paz, nem testemunhas — disse o menino —. Mas se você puder dormir sem perguntas… escolheu bem.
Immanuel fechou os olhos.
Não sonhou.
Não era preciso.
A bússola do dever não aponta caminhos visíveis.
Ela indica se você está sendo você — mesmo quando custa.
E a sua bússola… para onde aponta esta noite?
🌕 Episódio 3 – O Jardim que Sussurra Sentido
Nem tudo que é verdadeiro pode ser provado.
Nem tudo que é belo tem função.
Este último conto encerra a trilogia filosófica do Portal do Sol, onde Kant, agora um caminhante, encontra na contemplação o que antes buscava na razão.
O menino o acompanha uma última vez, sem conceitos nem mapas — apenas com a certeza de que o mistério também é morada.
Aqui, a filosofia não explica: floresce.
“Há coisas que não servem para nada.
E mesmo assim… mudam tudo.”
Immanuel voltou ao Portal pela última vez. Não trouxe caderno nem bússola.
Só veio para olhar.
O menino o esperava entre flores silvestres, com os olhos abertos como se tivessem acabado de nascer.
— Hoje não busca nada? — perguntou.
Immanuel sentou-se sem responder.
À frente deles, uma flor se abria com o sol.
Sem nome, sem perfume especial, sem função aparente.
— É bela — disse, enfim —. Mas não sei por quê.
O menino sorriu.
— Talvez não haja um porquê.
Durante horas, não falaram.
Deixaram que o jardim sussurrasse sentido sem explicá-lo.
Cada forma, cada cor, cada silêncio… era suficiente.
— No fundo — disse Immanuel —, sinto que isso está certo.
Mesmo sem poder justificar.
O menino ergueu uma folha caída.
— E não é isso a verdade?
Aquilo que não se pode explicar… mas mesmo assim, toca algo dentro de você?
A tarde caiu como um suspiro.
Immanuel fechou os olhos.
— Você acha que o que não tem utilidade pode ser o mais profundo?
O menino não respondeu.
Apenas colocou a folha sobre seu peito.
Naquela noite, não houve fogueira.
Só estrelas… e pétalas no chão.
O Jardim que Sussurra Sentido não responde perguntas.
Mas cada forma que floresce contém algo que você já sabia… e havia esquecido.
E você... que jardim floresce em você esta noite?
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