🪁 Entre pipas e abraços

 




Capítulo I: O fio invisível

O sol acariciava o meio-dia no Portal do Sol, e o avô Julián, com mãos sábias e olhar sereno, espalhava sobre a mesa os retalhos de papel, varetas e cordão. Seu neto, Tomás, o observava com olhos grandes, cheios de perguntas e admiração.

— Hoje vamos construir algo que voa — disse o avô —, mas não apenas no céu… também no coração.

Enquanto cortavam, amarravam e pintavam, Julián contava suas próprias aventuras de infância: como, com apenas um pedaço de papel de arroz e um galho caído, havia aprendido a fazer pipas com os amigos do bairro. Nem todos podiam ter uma, mas sempre encontravam uma forma de compartilhar o voo.

— Uma pipa não é só sua quando você a faz — disse ele —. Ela pertence a todos que a veem subir e sonham com ela.

Tomás escutava em silêncio, sentindo que cada palavra tecia um fio invisível entre ele e seu avô.

Capítulo II: O céu compartilhado

Naquela tarde, saíram para o campo atrás da casa. O vento dançava entre as árvores, como se soubesse que algo especial estava prestes a acontecer. A pipa, pintada com sóis e estrelas, subiu com graça, e Tomás correu com ela, rindo, enquanto Julián o seguia com passos lentos e olhar emocionado.

Outras crianças do povoado se aproximaram, curiosas. Tomás, lembrando das palavras do avô, ofereceu o fio, um por um. Cada criança teve sua vez, e o céu se encheu de risos, corridas e abraços.

— Compartilhar é como voar juntos — disse Julián, enquanto o sol começava a se pôr —. Não importa quem segura o fio, o importante é que todos olhamos para cima.

Naquela noite, Tomás guardou a pipa junto com uma nota escrita pelo avô: “O céu é maior quando é compartilhado.”

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