"Os Sete da Chama"
A cada ano, quando a lua cheia se ergue sobre os céus de Artigas, sete almas peregrinas retornam ao mesmo clareira onde nasceu seu pacto sagrado. Não há convites escritos, nem promessas ditas. Apenas um saber antigo, semeado em seus corações, que os guia até a fogueira.
O fogo se acende sem palavras. Sua luz dança sobre rostos marcados pelo tempo, mas cheios de sabedoria. Um a um, os amigos depositam aos pés das chamas um pequeno símbolo: uma pedra, uma carta, uma fotografia, um pedaço de tecido... objetos que carregam fragmentos de suas vivências.
Então, começa o rito.
Cada voz se ergue, não para contar feitos, mas para desnudar a alma. Falam da dor e da alegria. De perdas e encontros. Do amor que os partiu e do amor que os reconstruiu. As estrelas, testemunhas silenciosas, parecem inclinar-se sobre o círculo sagrado.
Não há julgamentos. Apenas escuta.
Quando o último coração se abre, o grupo dá-se as mãos. Não para encerrar o ritual, mas para deixá-lo pulsar entre eles. A amizade, mais que vínculo, revela-se como remédio. E o fogo, antes símbolo de calor, transforma-se em espelho: ali veem refletido não quem foram, mas quem ainda podem ser.
A noite continua... mas eles já são luz.
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