O Jardim das Vozes
O Jardim das Vozes
I. O Vale dos Ecos
Nas profundezas de um vale cercado por montanhas que sussurravam memórias antigas, existia um jardim único. Não era um jardim de flores comuns, mas de flores-palavra: cada uma brotava quando alguém compartilhava uma opinião com sinceridade.
Suas pétalas vibravam em tons distintos, suas cores mudavam conforme o diálogo, e seu aroma se intensificava quando alguém escutava sem julgar.
O jardim era cuidado por Luma, uma mulher de olhar sereno e mãos que sabiam ler o vento. Ela não falava muito, mas escutava com os olhos, com o corpo inteiro, como se cada palavra fosse uma semente.
II. O Viajante e a Semente
Um dia chegou Tarek, um jovem viajante que havia percorrido muitos povos, convencido de que sua verdade era a mais clara.
Ao ver flores que não compartilhavam sua visão de mundo, sentiu desconforto. Algumas falavam de justiça com ternura, outras de amor com silêncio, outras de memória com canto.
Tarek, confuso, tentou arrancar as que não lhe agradavam.
O jardim escureceu. As flores se fecharam. O vento parou de cantar.
Luma se aproximou e lhe entregou uma semente envolta em folhas de escuta.
—Esta semente só crescerá se você aprender a escutar sem querer mudar o outro —disse ela.
III. O Aprendizado do Silêncio
Tarek decidiu ficar. A cada dia, sentava-se entre as flores e escutava.
Algumas opiniões o comoviam, outras o irritavam, outras o faziam lembrar da infância.
Aprendeu a não interromper, a não corrigir, a não impor.
Aprendeu que respeito não é concordância, mas espaço compartilhado.
A semente começou a brotar. Primeiro tímida, depois luminosa.
Sua flor tinha pétalas de múltiplas cores, e seu aroma era mistura de todas as vozes que ele havia escutado.
IV. O Renascimento do Jardim
O jardim voltou a brilhar. As flores-palavra se abriram novamente.
As Vozes do Vento cantaram relatos antigos de desacordo harmonioso.
Tarek plantou sua própria flor, que não buscava convencer, mas compartilhar.
Luma sorriu. O jardim havia crescido.
Desde então, cada vez que alguém respeitava uma opinião diferente, uma nova flor brotava em algum canto do vale.
E o vento, agradecido, sussurrava:
—Escutar é semear. Respeitar é florescer.
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