A Mesa da Árvore: um ritual de primavera no Portal do Sol
A Mesa da Árvore: um ritual de primavera no Portal do Sol
Era uma tarde de primavera no Portal do Sol. O jardim se vestia de uma luz suave, e sob a grande árvore que parecia guardar gerações, reuniam-se três almas entrelaçadas pela memória: Maria, de 80 anos, Pedro, de 58, e Carlos, de 46. Três tempos, três olhares, um só mate compartilhado.
A mesa, de madeira nobre e gasta por histórias, estava rodeada de cadeiras que rangiam como se também quisessem contar algo. Sobre ela, um bule morno, mates que passavam de mão em mão, e um prato generoso de bolachas Maria e salgadas, que ao estalar evocavam tardes de infância, merendas em pátios antigos, risos que ainda flutuavam no ar.
Os pássaros cantavam sem pressa, como se soubessem que aquele momento era sagrado. Uma brisa fresca acariciava os rostos, despenteando lembranças e trazendo aromas de terra úmida e flores silvestres. Maria falava com voz pausada, contando como em sua infância o mate era cerimônia e as bolachas, tesouro. Pedro recordava os jogos no campo, os rádios de onda curta, os domingos de bicicleta. Carlos, com olhar luminoso, compartilhava como agora ritualizava cada encontro, cada objeto, cada palavra.
Não havia pressa. Apenas presença. Cada silêncio era profundo, como se a árvore os escutasse e respondesse com sombra e ternura. O Portal do Sol não era apenas um lugar: era um altar de memórias vivas.
A tarde seguiu seu curso, e quando o sol começou a se inclinar, os três permaneceram mais um momento, como se quisessem que aquele instante durasse para sempre. Porque no Portal do Sol, cada encontro é um ritual, e cada brisa, uma bênção.
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